É a pergunta do momento. Não que muita gente soubesse que estava a ponderar prosseguir estudos mas os que o sabiam inevitavelmente levantaram esta questão, talvez não neste tom.
É a primeira vez que desisti de alguma coisa na minha vida. Simplesmente não faz parte da minha personalidade por isso passo a explicar os meus motivos.
Ora muito bem, como já devem saber, ou não, eu fiz um curso profissional de Técnico de Design. E as notas? Foram ótimas! Era esse o meu objetivo desde bem novinha: tirar um curso que me desse a equivalência ao 12º e me preparasse para o mercado de trabalho. Ir para universidade: NUNCA! E até aí tudo bem. Fiz o curso e toca a procurar trabalho só que nada. Nada apareceu até ao dia de hoje. Por isso é que, passado um ano, me propus para os exames nacionais. A ideia era tirar o curso de Design de Comunicação que está imenso na berra e faz disparar as ofertas de emprego. Não é a minha área favorita mas não é a pior. O problema é que é preciso média de medicina (mas eu não vou andar a cortar ninguém!). Foi aí que soube de um amigo que tirou Design no IADE e arranjou logo trabalho na área de Design de Comunicação. Pensei "fixe, o curso está bem direcionado". Mas pagar 420€ por mês, pagas? Lá foi a Inês procurar alternativas. No privado, o que mais em conta encontrei foi na Universidade Lusíada de Lisboa só que não conhecia lá ninguém, não tinha referências nenhumas sobre o curso mas calculei (mal) que o programa fosse o mesmo. Para além disso, por ter sido boa aluna, tinha direito a um Prémio de Mérito que me permitia pagar o mesmo que na pública. Muito bem, fiz as perguntas que devia fazer, recolhi tudo o que podia de informações e fiz a matrícula. Convenientemente depois, a senhora da secretaria diz-me "até podes ter média de 20 mas se, por algum motivo, deixares alguma cadeira para trás perdes o Prémio de Mérito". Agora é que me diz isso!!!
É assim: ninguém, repito NINGUÉM, faz tudo à primeira, é humanamente impossível. Por azar, por não ter percebido a matéria ou até por uma décima, é assim que funciona. E não é propriamente fácil pagar 395€ por mês, já para não falar que, neste curso, uma simples caneta pode custar 20€. É sempre a somar! Mas pronto, já que tinha feito a matrícula, fui às aulas ver no que é que dava. "Pode ser que até não seja tão assustador como dizem".
Primeira aula de Design, disciplina nuclear/principal dada pelo Coordenador do Curso durante os três anos: "Bom dia, o meu nome é tal, tal, tal...Sou arquiteto, gosto muito de Design Gráfico/de Comunicação, acho muito bonito mas não percebo nada disso portanto vou ensinar aquilo que sei. Vamos começar a ver projetos de vários arquitetos conhecidos".
Boing! ODEIO ARQUITETURA! O único defeito do curso profissional que tirei foi precisamente esse: ser dado por arquitetos que "puxam sempre a brasa à sua sardinha". O meu estágio também foi num atelier de Arquitetura. Acreditem em mim, passei a saber o suficiente para saber que não gosto (passo a redundância)!
Não gostar de uma coisa é meio caminho andado para não a fazer, já para não falar da pressão acrescida de não poder deixar nenhuma cadeira para trás. Era só uma questão de tempo até eu ter de desistir. Mais vale fazê-lo enquanto ainda não foi investido muito dinheiro. Teria de comprar um MacBook, o material XPTO, o passe, enfim... Seria dinheiro deitado ao ar.
Se eu quisesse ser arquiteta tinha seguido Arquitetura, raios! Existe um limite entre ser lutadora e continuar cegamente a lutar por uma coisa que não me faria feliz. E esta foi a minha vivência universitária, fantástica não foi?
Um conselho: mesmo que achem que já estão informadas, informem-se mais ainda. É fundamental para não serem enganadas como eu fui.
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