terça-feira, 24 de maio de 2016

Vivências de uma desempregada #1

Raramente venho para aqui chorar-me porque acho que não têm a necessidade de levar comigo mas às vezes é preciso partilhar certas reflexões. Como o próprio título sugere, estou desempregada. Não costumo falar muito no assunto para não dar em maluca, senão já me imagino a marcar o número de dias de desempregada nas paredes do quarto.
Bom, aqui há dias fui à primeira fase de entrevistas para trabalhar em um call center. Não é nem nunca será o trabalho de sonho de ninguém, muito menos o meu já parece que tenho alergia a telefones. Ainda assim, foi-me dada esta oportunidade através de uma amiga muito querida e quanto mais não fosse, era uma forma de retribuir o carinho e de mostrar gratidão.
Para além disso, não sei como é que as coisas funcionam nas vossas casas mas pelo menos na minha não chove dinheiro portanto tem de se fazer alguma coisa, até por uma questão de autonomia (sim, devem chover resmas de notas na casa de algumas pessoas que recusam todo e qualquer tipo de trabalho mas vivem nas sete quintas).
Continuando, a minha mãe deixou-me na estação de metro e a última coisa que ela me disse foi "não estejas nervosa, eles aceitam toda a gente". Durante o tempo da viagem até chegar a Alvalade fui mastigando estas palavras. "Eles aceitam toda a gente". E surgiu uma enxurrada de perguntas:
  • Que sociedade é esta em que os melhores alunos, as pessoas mais esforçadas e dedicadas têm de se contentar com trabalhos que "aceitam toda a gente"? 
  • Que recompensas existem para todos os anos a queimar pestanas?
  • Qual é o futuro daqueles que recusaram inúmeros convites para ficar a estudar?
  • O que é que está reservado para os melhores certificados, para as melhores médias, para pessoas competentes? 
  • Como é que chegámos a este ponto?
Antes não ficava surpreendida quando tudo não passava de estatísticas no rodapé do Jornal da Noite mas agora que me toca é muito mais pessoal. Agora que é comigo, surpreende-me.
Ao olhar para trás, acho que toda esta vivência me tornou mais humilde. Tinha uma ideia completamente diferente do meu futuro. Achava que acabaria de estudar e que a média do meu curso juntamente com a média do estágio seriam suficientes para arranjar emprego com alguma facilidade. Estava enganada! Não que me arrependa de todo o esforço que deixei para trás mas, na prática, no campo de batalha do dia-a-dia, tudo isso é relativo. Ainda assim, há uma parte de mim que não se conforma com esta situação e que acredita que eu merecia muito mais.
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2 comentários:

  1. Compreendo a tua situação até porque a bem pouco tempo esse era o meu caso( desemprego).
    Há dias melhores e dias piores o que deves ter mesmo em mente é nunca baixares os braços. Neste momento estou a trabalhar com 1 objectivo em mente tirar um curso que sempre quis. A realidade é que saímos muito pouco preparados para a dura verdade do mercado de trabalho. Tenta ter em mente mesmo num call center lojas não é o ideal mas é o possível por vezes temos de baixar as nossas expectativas. Termos a nossa autonomia é algo que não tem preço acredito e luto todos os dias por isso.
    Tudo de bom e boa sorte** tua leitora fiel Lara Caires bjs

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    Respostas
    1. Nunca pensei receber tanto carinho e tanto encorajamento de alguém que só conheço através da tela de um computador. Agradeço tanto tanto as tuas palavras! É muito bom saber que existe alguém do outro lado que se identifica comigo e que se cria empatia. Entretanto surgiu uma outra oportunidade mas para já não quero criar grandes expectativas (se se confirmar deixo aqui no blog). Espero que dê tudo certo afinal esta situação não pode durar para sempre.

      Mais uma vez agradeço do fundo do meu coração pelo teu comentário e pela compreensão.

      Um beijo!

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